Inclusão digital: Necessidade e Consequências.
Texto de Carmen Rosa de Sá
A 7ª Conferência Jaime Wright da Faculdade 2 de Julho trouxe o prof. Marcos Palácios que, durante a palestra de abertura do evento, falou sobre inclusão digital. Professor titular de Jornalismo da UFBa, Palácios lidera dois Grupos de Pesquisa: Jornalismo Online e Centro Internacional de Estudos e Pesquisa em Cibercultura – CIBERPESQUISA. Segundo Palácios, a inclusão digital tornou-se uma realidade na sociedade da era tecnológica e, portanto, deve ser adicionada ao direito fundamental à educação estabelecido na Constituição Federal.
O impedimento de acesso à internet fere tanto a liberdade de expressão e a possibilidade de comunicação, quanto o ingresso no mundo de informações existentes na rede. Pensar em educação é pensar também em inclusão digital.
A internet e a ruptura com outros meios de comunicação.
O fluxo contínuo e globalizado de informações tem início com o telégrafo e as agências de notícias, através das quais as informações começaram a circular pelo mundo. A invenção do rádio (primeiro grande meio massivo de comunicação) e sua influência durante a Segunda Guerra potencializaram o sistema comunicacional que foi consolidado com a invenção da TV. Importante notar que a interatividade e a hipertextualidade são características destes meios de comunicação.
Com a internet, o sistema comunicacional sofre uma ruptura dos limites de tempo e de espaço. Qualquer informação pode ser veiculada em tempo real. A digitalização de dados permite o conhecimento de fatos históricos passados e presentes. Os dados culturais de determinada civilização podem ser consultados em qualquer terminal localizado em qualquer parte do mundo. Desta forma, passado, presente e futuro ocupam o mesmo espaço. Outro elemento de ruptura do sistema comunicacional é a possibilidade de circulação de conteúdo lançado nas redes, de forma simples e gratuita. Além destes aspectos, Palácios salientou que as redes funcionam tanto como sistema, quanto ambiente (nos escritórios e lojas virtuais, por exemplo) e o usuário pode em termo real exercer ações diversas tal qual ocorre no comércio eletrônico.
Consequências da inclusão digital.
A simplificação do modo de produção de informações e a facilidade de circulação de conteúdos permitem a total liberdade de expressão e com isso qualquer pessoa, grupo ou comunidade pode publicar sua ideologia seja a favor ou contra qualquer assunto. As redes abrigam pacifistas e terroristas, por exemplo. Cabe à pessoa escolher o material que lhe interessa. Além disto, segundo Palácios, os resultados de uma pesquisa recentemente publicada, envolvendo universitários e jovens profissionais residentes em vários países, apontou para o enfraquecimento dos laços sociais, vez que o público alvo do estudo declarou majoritariamente preferir manter suas relações no espaço virtual.
Na realidade, a inclusão digital surge como uma poderosa ferramenta do sistema comunicacional. Entretanto, é incapaz de por si só garantir o exercício da cidadania. É imperiosa uma política pública voltada para a concepção dos formadores de opinião (professores, jornalistas, etc.), vez que o papel dos mesmos assume vultosa importância na era tecnológica. Questões de ética e respeito permanecem no campo off-line e precisam ser cada vez mais e melhor ensinadas a fim de que a inclusão digital consiga promover educação e cidadania.










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