Espetáculo da cidadania no Calabetão
Por Daiana Cerqueira
Quando chega o período junino, um espetáculo imperdível é a apresentação das quadrilhas. Mas, quem vê aquelas roupas coloridas, cheias de detalhes, não faz a menor ideia do trabalho que dá para que os figurinos fiquem prontos. E em clima de copa do mundo, a coisa muda ainda mais de figura, pois a decoração é baseada nas cores que compõem a bandeira do Brasil.
É o caso da quadrilha de São João
que se apresenta no Calabetão e este ano vai homenagear a seleção brasileira. Esse é um dos projetos sociais desenvolvido há 5 anos pelo morador e cabeleireiro Reginaldo Santos, que não mede esforços para que o grupo de dançarinos possa fazer suas apresentações nas principais ruas do bairro sempre nos dias 23, 24, 27 e 28 de junho, datas em que se comemoram o São João e o São Pedro.
As primeiras danças da quadrilha eram ainda em caráter amador, sem muita organização, algo feito apenas para a comunidade se divertir. Hoje, Santos conta com 50 dançarinos que correspondem a 25 pares com faixa etária compreendida entre 14 a 23 anos, além de receber convites para fazer apresentações em bairros próximos, a exemplo da Mata Escura, Pirajá, Boa Vista de São Caetano, entre outros. É sinal de que essa dança popular admirada por muitos moradores do local já ganhou ritmo e seriedade.
Reginaldo contou que o seu objetivo é manter os jovens longe das drogas. Por isso faz questão de ocupar a mente deles. “Os resultados são satisfatórios. É importante entender o que falta na nossa comunidade para oferecer aos nossos jovens elementos que possam ajudá-los a dizer não ao mundo crime”, ressaltou.
Além disto, a proposta do patriarca, narrador e organizador dessa dança cultural, oriunda da Europa no século 19, é resgatar valores e manifestações culturais nordestinos e baianos, dando destaque à história moral e tradicional. “A interpretação dos personagens é baseada na expressão popular conservadora, ao ritmo do forró pé-de-serra.
Para tirar os jovens da rua e ensinar novos estilos de música e cultura, é necessário patrocínio. “Várias pessoas estão contribuindo. Moradores e pequenos comerciantes querem manter viva essa tradição”, contou Reginaldo Santos. Segundo ele, a quantia arrecadada ainda é insuficiente para suprir as necessidades desse projeto. Por isso, um vereador do bairro também ajuda. Este ano, por exemplo, as roupas serão confecionadas na cor do Brasil, exigindo mais profissionais para o corte e costura. “As costureiras envolvidas no processo são voluntárias. Nenhuma delas são recompensadas financeiramente, apenas o prestígio de vê-los dançando.”









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