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Transporte público para todos os públicos

26 abril 2010 Sem comentários

Elaine Nascimento

A distância entre a casa de Elisângela Carvalho,34, e o ponto de ônibus é de 300m, mas ela prefere percorrer 600m e ir para outro ponto que lhe dar a possibilidade de pegar o coletivo vazio, “se eu fico no primeiro ponto eu pego o ônibus já lotado, mas as vezes o ônibus que eu pegaria vazio se atrasa então sou obrigada a pegar o cheio mesmo”. A jovem sai todos os dias as 4:50 da manhã e anda pelas ruas desertas e sem segurança do bairro de Alto de Coutos, periferia de Salvador “ é preciso chegar alguns minutos antes, pois ele as vezes passa antes do horário e se eu perder este eu já fico atrasada”.
Para quem é portador de deficiência física os problemas em relação aos transportes públicos são outros, além de terem uma frota de ônibus adaptada reduzida, muitos cadeirantes queixam dos ônibus não pararem nos pontos para eles. Gilberto Santos Silva sabe muito bem o que é isso, ao levar a filha Larissa 7, tetraplégica ao médico ele passa constantemente por grandes dificuldades. “A quantidade de ônibus adaptado é muito pouca. O pouco que tem, muitas vezes passa direto; não para, fingem que não estão nos vendo”.
Em entrevista a Agência SEBRAE a presidente da Associação Baiana dos Deficientes Físicos (Abadef) Maria Luísa Câmera, afirma que nem 50% da frota de ônibus é adaptada, mas a lei 5.296 sancionada pelo presidente da República Luiz Inácio da Lula Silva, diz que até 2010 todos os ônibus deveriam estar adaptados com elevador. “Nenhum direito a menos, vou brigar por isso. Antes brigava porque não tinha, agora que temos, brigamos para que sejam colocados em prática”, enfatizou.
Para Maria Luísa Câmera, a cidade não está preparada para receber o portador de deficiência fisica. “Além do olhar preconceituoso de que somos vítimas, somos também condenados a não melhorar de vida, não podemos comprar um carro porque as pessoas inescrupulosas e preconceituosas ocupam nossa vaga no estacionamento”, indignou-se a presidente da Abadef. “Foi-se o tempo que o deficiente tinha que ficar em casa, hoje ele estuda, trabalha.” Uma realidade que nem todos ainda respeitam.

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