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Metrô de Salvador: novela da vida real

26 abril 2010 Um comentário

Por Daiana Cerqueira

Muitas pessoas acham que o projeto do metrô é algo novo, de 11 anos atrás. Mas, enganam-se completamente.  Fotógrafo há 31 anos, Aguido dos Santos comenta que o projeto do metrô teve início em 1987 quando, na época, o radialista Mário Kertész lançou o projeto TMS (Transporte de Massa de Salvador), que seriam obras denominadas VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Este plano tornou-se insustentável não saindo do papel.

Logo depois, entre 1999 e 2000, na administração de Antônio Imbassahy a ideia do metrô ressurge na tentativa de desafogar o trânsito se apresentando como uma inovação em relação à década de 80. As obras de construção tiveram início em 2000, apesar de o contrato ter sido assinado em 1999. João Henrique, por sua vez, assumiu o compromisso de dar continuidade ao plano de Imbassahy, porém até agora os resultados têm sido insuficientes para atender os mais de três milhões de habitantes da cidade.

Enquanto o metrô não chega, veja a nova alternativa de transporte da população.

A principal queixa da população é de que um projeto que deveria oferecer mais comodidade depois de uma década ainda não está pronto, tendo como previsão de inauguração em 2003. As verbas públicas destinadas às construções deveriam totalizar 530 milhões de reais, o que na verdade contraria a receita do governo. Em dez anos, foram gastos quase 640 milhões na metade dos doze quilômetros que seria o projeto inicial e mesmo assim não tem quase nada pronto, apenas as estações estão praticamente concluídas.

No momento, o que deixa o povo insatisfeito são os gastos desnecessários com o aluguel dos galpões usado para guardar os vagões do sonhado metrô de Salvador. Desde novembro de 2008, os trens que chegaram ao Centro Industrial de Aratu (CIA), em Simões Filho estão custando caro ao governo. Um milhão e duzentos reais. Este é o valor pago pela estadia e a prefeitura de Salvador nem sonha em concluir as obras. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU) os gastos desnecessários já totalizam 115 milhões de reais.

O metrô de Salvador se tornou uma fonte de desvio de verba pública. Em entrevista concedida ao A Tarde on line, em janeiro de 2009, Fábio Guedes, economista com doutorado em administração pública, disse que o gasto pode ser considerado “improbidade administrativa”. Ainda enfatizou ao dizer que a demora na construção do metrô pode desfalcar mais os cofres públicos, pois continuar guardando os vagões requer investimentos. Fato esse que vai contribuir para mais dinheiro jogado fora.

Desilusão

A partir do final de 2003, em função das paralisações, o povo soteropolitano passou a desacreditar na promessa da estação metroviária, uma vez que não houve conclusão nem da primeira etapa- trecho que liga a Rótula do Abacaxi à estação da Lapa. Para o professor e jornalista Chico Araújo, este é o menor metrô do mundo, o mais caro e o mais demorado. “Mal estruturado e com certeza não vai atender a toda população carente”. Já a jornalista Priscila Melo acredita que os responsáveis diretos desse sistema usam os recursos públicos de forma irresponsável porque estão acostumados a não ter punição. “O Ministério Público da Bahia deveria era se preocupar com isso, ao invés de dar habeas corpus para chimpanzé como fez em 2005”, relembrou.

A expectativa que se tem agora é que o primeiro trecho fique pronto até 2011.

Samuel Celestino comenta

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