Transtorno pouco conhecido restringe o convívio em sociedade
Em meio ao corre-corre diário, algumas pessoas usam expressões como: “São tantas coisas que tenho para resolver; estou para me descabelar”, ou, “estou para arrancar os cabelos.”
Porém descabelar-se ou arrancar os cabelos não são somente “expressões”, trata-se de um Transtorno do Controle do Impulso, cujo nome é Tricotilomania, a qual as pessoas arrancam seus próprios cabelos, outras chegam a ingerir os fios arrancados (Tricotilofagia) podendo causar uma obstrução no estômago ou intestino, e assim podendo ter que fazer uma cirurgia para remoção de bolos de cabelos, Tricobezoar (artigo em pdf),
“O transtorno é caracterizado pela dificuldade em resistir ao impulso de executar o ato prejudicial a si próprio, e pode ocorrer muitas vezes sem que o próprio perceba por isso a dificuldade em ser controlado, diz a psicanalista Danielle Monegalha da UFRJ”
A pessoa pode começar a arrancar os cabelos escolhendo por cor, como os brancos, por textura, ou por qualquer outro critério.
“Aos 12 anos, os fios de cabelo quebradiços e com textura grossa passaram a me incomodar, e comecei a arrancá-los fio por fio, como se os meus cabelos cacheados fossem ficar perfeitos sem aqueles ‘intrusos’ que teimavam em ficar desgrenhados ao pentear os cabelos”, diz a universitária soteropolitana J.O de 23 anos.
O tempo em que uma pessoa arranca os cabelos pode variar de meses até mesmo décadas, e durante o período pode conseguir parar e voltar a praticar o ato, assim, a ansiedade de conseguir parar juntamente com os afazares do dia faz com que a pessoa entre em depressão. E até mesmo pense algumas vezes em tomar atitudes drásticas para alcançar a recuperação.
“Já pensei em colocar fita adesiva nas pontas dos dedos, e até mesmo em queimá-los para não sentir prazer em arrancar os fios de cabelo, relembra J.O.”
Geralmente a tricotilomania pode ser desencadeada em qualquer idade, tanto nos homens quantos nas mulheres, mas geralmente inicia na infância ou adolescência.
Qualquer região do corpo que tiver cabelos, pêlos, mesmo com a dor ocasionada pelo ato, pode ser alvo do transtorno. E o início, a dor do arrancar, passa depois para uma dor “diferente”, esta, porém de prazer por já arrancar os cabelos há anos.
Ao ter o transtorno, muitas pessoas restringem-se ir a lugares públicos, por receio que os outros percebam as falhas (calvície), e questionem, assim levando-os a inventar alguma história, ou se enclausurar em casa.
“Deixei de freqüentar praia que tanto gosto durante três anos, pois quando molhava meus cabelos no mar, mostrava as falhas com mais nitidez e ficava mais ralo do que de costume por arrancar perto da nuca”, lamenta J.O.
A dificuldade de enfrentar a “nova aparência”, esta sem os cabelos, torna-se mais difícil em especial para as mulheres, devido a calvície feminina não ser comum, torna-se um “alarme” e os olhares ao redor se voltam a mulher calva. Assim muitos dos que têm o transtorno ficam constrangidos e se expõe cada vez menos. Já outros, mesmo com receios se expõem falando do seu dia-a-dia com a Tricotilomania, como “Tita” de 26 anos em seu blog, não só para ajudar a si mesma mas para ajudar a outros que também apresentam o transtorno.
A tricotilomania é considerada por muitos na internet, uma das dez doenças mais esquisitas (Blog – doenças bizarras).
Esse tipo de Transtorno do Controle do Impulso (Tricotilomania) pode se tornar um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).
Segundo Danielle Monegalha, o controle da Tricotilomania inclui a participação ativa do paciente, que será treinado através da Terapia Cognitiva-Comportamental para controlar os impulsos de arrancar os cabelos, mais a medicação prescrita por um psiquiatra.
Somente a somatória de ambos com a força de vontade da pessoa, e a ajuda da família farão com que aos poucos a pessoa se controle em não arrancar os próprios cabelos e assim possa ter uma vida social sem receios.
(Entrevista com a psicanalista Danielle Monegalha -UFRJ para Livro-Reportagem no ano de 2008)










ola, eu tenho essa doença de arrancar os cabelos, des dos 13 anos hoje estou com 22. Agora estou em tratamento psiquiatrico ja faz 5 meses que eu não arranco nenhum fio. É muito dificio mas nos temos que ser mais forte que ela.
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