Estudantes do interior buscam crescimento profissional nas capitais
O número de jovens que buscam as capitais para cursar as universidades tem aumentado significativamente ao longo do tempo. Um exemplo é a cidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador. O número de estudantes que viajam todos os dias buscando crescimento profissional passou de 30 para 3000 pessoas no curto periodo de 6 anos. Isso se dá, sobretudo, devido às iniciativas da prefeitura, que disponibiliza transporte gratuito e bolsa auxilio incentivando os jovens a ingressar nas faculdades da capital.
É o caso de Leidiane Silva Nascimento, 21 anos. Acordar às 5:00 horas e dormir à meia noite, tem sido a rotina da estudante de secretariado executivo, há pelo menos dois anos e meio. O fato de Camaçari oferecer poucos cursos de graduação é um dos motivos que levam ao deslocamento até a capital. Mas no caso de Leidiane, outro fator foi decisivo. O sonho de cursar uma universidade federal. “eu sempre quis estudar numa faculdade federal, era o meu sonho e não poupei nada para conquistá-lo”. Conta empolgada, mesmo com todo o sacrifício que faz para conciliar os estudos, a família, os amigos e os compromissos sociais.
A semana da estudante só tem um dia de folga, o sagrado domingo que ela tira para dormir até tarde e principalmente cuidar da beleza. “Domingo eu acordo tarde. Arrumo as unhas, o cabelo e estudo. Mas vou dormir cedo, porque a semana começa muito cedo para mim”, desabafa a estudante que toma café na sala de aula para conseguir chegar a tempo. “Como as aulas começam cedo e os campus são diferentes, tenho que administrar minha vida, se não eu atraso todo o resto do dia”, conta a futura secretária que pela tarde estagia num colégio particular em Salvador.
Apesar da correria, a jovem diz que para ela o estágio é necessário, além do aprendizado, ela ganha um dinheiro que é só dela. A mãe já pediu para que ela deixasse o estágio. “Minha mãe morre de pena de mim, me aconselha a deixar o estágio, mas a correria é boa, já me acostumei e sei que serei recompensada”. A estudante que abandonou a faculdade de Letras no terceiro semestre, confessa que chegava a chorar dentro de sala, pois não gostava do curso, “eu ia para sala de aula e chorava, não era aquilo que queria fazer, tranquei o curso e agora estou ótima, amo secretariado, apesar da correria. Agora eu faço por prazer”.
De acordo com ela, o momento do dia que mais curte é a volta para casa com os amigos de roteiro. “Tudo bem que ficamos em pé quase uma hora esperando o ônibus, cansados. Mas a diversão e as “resenhas” são bem divertidas.” Além das aulas e do estágio ela ainda acrescenta na sua agenda, o curso de inglês, o grupo de jovens da igreja que freqüenta e uma Empresa Junior da faculdade. “Sábado para mim é um dia útil, na sexta eu imagino que ainda é quinta, para não ficar com preguiça de acordar às 5 da manhã novamente”.
A estudante diz ainda que gostaria de ter força para frequentar a academia, pois com o corre-corre a alimentação fica desregulada e os quilinhos que já tem tendência a aparecer aumentam. “Eu precisaria mesmo era de força para tentar malhar e de tempo para cuidar da minha saúde, mas infelizmente vou vivendo como posso”.
E para quem pensa que juventude resume-se a curtição, nem sempre é assim. Hoje em dia, o que Leidiane mais curte é ficar sem fazer nada, o que não é muito comum para uma jovem de 21 anos. Baladas e festas para ela alteram toda sua rotina, portanto é algo que não costuma fazer. “O ócio para mim hoje é a melhor coisa do mundo, ficar em cima da cama, mudando de canal, não tem coisa melhor”. Ainda conta que, viver assim tem suas vantagens e desvantagens como em tudo na vida, e essa correria só vai piorar. “As pessoas dizem que nunca mais vou sair desse corre-corre, depois da graduação, vem pós, outros cursos, trabalho e assim vou vivendo e tentando conciliar tudo”. Como uma boa secretária, a estudante acredita que a melhor coisa que fez até hoje, foi virar secretária de si mesma. “Tive que comprar uma agenda para tentar ajeitar minha vida. Essa agenda foi a minha salvação.”









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