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Mídia festeja produção recorde de transgênicos sem discutir os problemas causados

22 março 2010 Sem comentários

No último dia 24, a TV Globo divulgou no Bom dia Brasil uma reportagem em que falava sobre o aumento de 35% na produção dos transgênicos em 2009, da mesma forma que o jornal A folha de São Paulo. Os dois veículos deram detalhes sobre o crescimento no cultivo desses produtos, soja, milho e algodão que atingiu 21,4 milhões de hectares plantados, colocando o Brasil no posto de segundo maior produtor do mundo, superando a Argentina que detém 21,3 milhões de hectares e só perdendo para os Estados Unidos com 64 milhões.

Ambos os veículos deram detalhes sobre os percentuais desse crescimento em que a soja atingiu 16,2 milhões de hectares plantados, o algodão 150 mil e o milho cinco milhões, o que representa um aumento de 400 % em relação a 2008; o jornal inclusive publicou a reportagem em ¼ de pagina com estatísticas, infografia etc.

O fato deprimente de tudo isso é que ambos os veículos deixaram de citar os malefícios provocados pelos transgênicos, tanto ao homem como ao meio ambiente, no caso dos humanos, além de infertilidade pode levá-lo à morte, além de contaminar os mananciais com o aumento da dosagem de agrotóxico, uma característica desses organismos e ainda a contaminação irreversível das plantas convencionais, quando interagem com toda a biodiversidade multiplicando-se e provocando alterações na flora e fauna.

A autorização para a comercialização pesquisa e plantio dos transgênicos no país se deu a partir da lei 11.105, de março de 2005, conhecida como a lei da biosegurança que abrange também as pesquisas com células tronco e na época gerou muita polêmica, só sendo aprovada graças a um forte lobby promovido pela bancada ruralista no Congresso Nacional.

A empresa que comercializa essas sementes no país, a Monsanto, localizada no pólo de Camaçari onde foi implantada com o discurso de que os transgênicos acabariam com a fome no mundo, como denunciou em entrevista a revista Caros Amigos a jornalista francesa Marie Monique Robin, autora do livro “O mundo segundo a Monsanto”, a multinacional americana já esteve envolvida na produção do agente laranja. A empresa tem a patente dessas sementes e monopoliza a sua comercialização, explorando os agricultores com a cobrança de royalties e que acaba transformando-os de vítimas em criminosos perante a lei devido à inevitável contaminação dos produtos convencionais através do cruzamento das espécies ou mesmo a mistura das sementes quando são obrigados a pagarem multas exorbitantes, conforme denuncia o Greenpeace.

Jefrey Smith diretor executivo do Instituto pela Tecnologia, autor de “Sementes da Decepção” e “Roleta Genética”, viaja pelo mundo dando palestras e alertando os governos sobre os perigos da biotecnologia aplicada aos alimentos, e se especializou nos perigos à saúde causados por OGMs, incluindo milhares de doenças como infertilidade e reações alérgicas que podem levar à morte do homem e de outros animais associadas ao aos produtos comercializado pela Monsanto e os chamados “PCBs” que são os polifenois e dioxinas policloradas. Smith  alerta que em poucos anos viveremos uma epidemia de câncer provocada pelo uso abusivo de agrotóxicos.

Portanto diante dos problemas gerados por esses produtos e tendo a mídia se omitido quanto a sua divulgação, a bióloga da Secretaria Estadual do Meio Ambiente Samanta Almeida Teceu o seguinte comentário o papel da imprensa na cobertura de assuntos científicos está deficiente. Infelizmente falta coragem e atitude para enfrentar os grandes políticos que estão por traz da produção dos trasgênicos, pois com essa atitude a mídia deixa de propiciar à sociedade um maior conhecimento sobre determinados assuntos.

Uma das poucas exceções, a revista Caros Amigos, na sua edição de dezembro do ano passado publicou uma reportagem da jornalista Fabiana Merlino sobre o uso de agrotóxicos no Brasil, mas que assim mesmo apesar de denunciar o excessivo uso de produtos tóxicos no cultivo de alimentos, pouco falou sobre os OGMs, o que suscitou o comentário do leitor Luis Henrique na edição de Março, que elogiou a matéria, e complementou dizendo que as sementes transgênicas obtidas através de engenharia genética dão pavor a quem lê sobre o assunto que a jornalista deixou de informar e de acordo com o leitor a mídia não se opõe as multinacionais que em grande parte são os próprios donos dos veículos de comunicação. 

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