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Do virtual ao real: uma história de amor nascida pela internet

22 março 2010 Sem comentários

Por Daiana Cerqueira

Com o advento da internet e das inovações tecnológicas, houve uma metamorfose em vários campos sociais, nas formas de se relacionar e de trafegar informações.

O enredo do romance de Eduardo e Mônica como chamaremos os personagens da nossa história real tem um ponto em comum com a peça Romeu e Julieta – do dramaturgo inglês William Shakespeare. Ambos são baseados no amor. Os pseudônimos Mônica, 41 anos, e Eduardo, 44, servem para proteger as identidades dos personagens reais.

Tudo começou em 1994, Mônica comprou o seu primeiro computador, após ter recebido sua rescisão contratual e logo conheceu o ciberespaço. O ambiente virtual que ela sempre frequentava era o Mirc, na época o programa de bate-papo mais usado para conhecer pessoas em tempo real.

Em 9 de novembro de 1997, Mônica conheceu seu atual esposo, Eduardo, meio que por acaso. Ela conta que sempre foi autodidata e buscava se relacionar com as pessoas pelo grau de afinidade e pelo interesse nos mesmos assuntos. “Alguém aqui fala espanhol”? Perguntou, ao entrar no chat. E a identificação foi rápida. Eduardo dominava a língua espanhola, pois é um cidadão argentino e desejava aprender o português, idioma da brasileira Mônica. Era tudo o que os dois precisavam.

Passaram a teclar todos os dias, sempre nos mesmos horários. “A internet se tornou um vício para mim”, contou ela. As coisas ficaram sempre mais intensas. Começaram a perceber que tinham valores culturais e morais parecidos. As frases se cruzavam e o que era apenas um encontro virtual para troca de conhecimentos ganhou outra configuração.

De acordo com a doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), Lídia Weber, a atração física, nos dias de hoje, não importa muito para o início de um relacionamento.  “Vivemos numa nova era, onde encontrar-se no ciberespaço, trocar ideias com pessoas do outro lado do mundo sem nunca tê-las encontrado fisicamente, fazer sexo e apaixonar-se através de um chat não é mais ficção-científica. É realidade”, diz ela, na comunicade do Orkut Portal Encontro Amoroso.

Falando em realidade, quando Mônica se deu conta de que estava apaixonada tentou não encarar o que estava acontecendo. Mas, Eduardo a pressionou. “Não gosto de perder tempo. Você estar brincando comigo”? Essas palavras foram decisivas para Mônica, que assumiu de vez o seu sentimento. Ao contrário de muitos namoros virtuais, a história dos personagens era regada com muito amor, respeito e verdade. É o que frisa o psicoterapeuta e professor da disciplina de Propedêutica do curso de Medicina da UFPR, Mário Negrão, no portal sobre namoro virtual. Para ele, nesse tipo de relação não deve existir mentira, o que deve prevalecer é a transparência. “Já que a presença física não é real, a informação deve ser. A mentira poderá levar a uma situação bastante embaraçosa e até mesmo desastrosa”, explica.

Mesmo com muita insegurança, Mônica sempre se manteve firme, sem fantasiar. A personalidade que tinha lhe assegurava a certeza de que aquela paixão nascida através dos clics do mouse e teclado se transformaria em amor. Na verdade, ela não acredita que a seta do cupido tenha atingido os dois e sim que a questão da maturidade de ambos tenha sido importante. “Não é a internet que faz um relacionamento dar certo ou errado e sim a forma que se conduz. Se você mente frente a frente, você vai mentir também pela internet”, ressaltou.

Cara a cara

Em 16 de abril de 1998, Eduardo chegou ao Brasil a fim de ver a amada pessoalmente. Antes disso, quando teclava, um dia pediu que ela se descrevesse. E todas as suas características foram descritas. Num momento como este o que vale é a conduta ética de cada pessoa, como bem fez Mônica. Já o estudante do curso de logística Leandro Neves diz que a internet propicia conhecer muita gente, mas é uma questão de sorte encontrar alguém legal e verdadeiro. “A gente nunca sabe quem está do outro lado”, acrescentou.

Esse lugar fantástico não é um paraíso onde habitam príncipes encantados. É preciso tomar cuidados com as práticas maldosas que acontecem, constantemente, no mundo virtual.

Crimes pela internet

Cada vez mais frequentes, os crimes cometidos no ciberespaço nos surpreendem. O perigo pode estar dentro de casa, atrás da tela do computador. A reportagem exibida no Programa Fantástico, no último dia 14, mostrou a história de uma menina, que conheceu um suposto colega pela internet.  Na verdade, se tratava de um pedófilo, que fez montagens pornográficas com as fotos da garota, de 12 anos, e exibiu na escola onde ela estudava, frente aos seus colegas de classe. Ele foi condenado a oito anos de cadeia e se encontra preso. De acordo com o Fantástico, pesquisas revelam que só em 2009, em todo o Brasil, foram feitas mais de 43 mil denúncias de pornografia infantil na internet.

No site sobre abuso sexual na internet, foi constatado a partir de estudos realizados, nos Estados Unidos, que as conversas on-line apresentam perigo aos adolescentes, principalmente quando quem está do outro lado é desconhecido. “Na maioria dos casos de abuso sexual, os criminosos usam mensagens instantâneas, e-mails e chats para desenvolver uma relação íntima com as vítimas, afirmou Janis Wolak, responsável pela pesquisa.

Se foi sorte ou não, hoje casados há 13 anos, Eduardo e Mônica usa o amor como aliado para vencer as barreiras burocráticas, já que ele veio para ficar no Brasil junto da sua amada.

Dicas importantes:

1. Desconfie se uma pessoa após bater papo com você por algumas horas disser que te ama.
2. O ritmo de entrosamento tem que ser natural e nunca forçado ou apressado por um dos lados.
3. Tente descobrir quem é a pessoa com quem você esta conversando. Não se deixe levar por ilusões.
4. Relações pela internet têm a tendência de se tornarem muito profundas, pois na maioria das vezes as conversas são mais intelectuais e emocionais, já que não existe a presença física da pessoa.
5. Tente se lembrar dos pequenos detalhes que essa pessoa te contar, pois caso a pessoa esteja mentindo é nos pequenos detalhes que ela ira se enganar.
6. Se a foto que a pessoa do outro lado do teclado enviar for muito legal para ser verdade, desconfie. Na maioria dos casos são fotos falsas.

Veja outras dicas.

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