Tradição do Axexê resiste ao tempo

A morte para algumas pessoas simboliza a tristeza, enquanto que para outras representa transformação. Essa é a realidade vivenciada nos terreiros de candomblé: quando morre um representante da casa, o babalorixá (pai de santo), ou Yao (filho/a). As cerimônias fúnebres são conhecidas como Axexê ou Ipadê. Após enterrar o corpo, o terreiro permanece ainda aberto e deverá ficar fechado para o público durante um ano ou mais conforme determinação dos demais. Mas, as cerimônias internas da casa continuam, e é de costume repetir o ritual de um, três, seis meses, ou de um, três, sete anos depois do Axexê inicial. A cerimônia do Axexê é destinada às pessoas que tinham pleno conhecimento da religião. De acordo com o babalorixá Air José de Jesus, esse ritual é de total mérito, principalmente para aqueles que dedicaram suas vidas aos mistérios do candomblé.
Para a Yaó Marinalva Silva, não é importante que os novatos da casa participem da cerimônia, apenas os mais velhos, porque é preciso ter um grau maior de conhecimento e respeito.
O ritual
Nesses casos antecedem ao Carrego de Egum que é acompanhado de um animal sacrificado, indo de uma única ave a um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças, rememorando o nome de outros iniciados que já se foram como Mãe Ilda, do terreiro ILÊ AXÊ JITOLU que faleceu no dia 20 de Setembro deste ano. Durante esse ritual cada um desempenha um papel no terreiro os Ogans: são as pessoas que tocam os atabaques escolhidos pelos orixás e não chegam a incorporar, não deixando de ter intuição espiritual e são do sexo masculino. A Ekedi na maioria das vezes é chamada de mãe a depender do terreiro, é do sexo feminino e de grande valor por ser confirmada pelo orixá da casa, ela também, é responsável pelos cuidados do local, dos filhos de santo quando são incorporados pelas entidades e dos visitantes entre outras atribuições. Enquanto isso as comidas oferecidas ao santo são preparadas pela Iyabassê (mulher responsável pela alimentação). As filhas de santo não tem cargo atribuído, pois participam da cerimônia já incorporadas com o orixá.
É necessário obedecer aos vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respeitosamente despedido depois do carrego despacho, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê, são ainda entoadas e no final são louvados os orixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus Elegun.
Mirian Nery









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