Por Trás da Fé

Fitinhas: motivo de discórdia entre comerciantes e ambulantes
Donos de estabelecimentos comerciais, localizados ao redor da Basílica do Senhor do Bonfim, denunciam a concorrência desleal, obscura e por vezes violenta dos ambulantes ou “fiteiros”.
Todos os dias, um dos símbolos da religiosidade baiana, a “fitinha”, tem sido motivo de práticas abusivas nos preços de venda.
“Comecei vendendo lanches e passei a comercializar artigos religiosos devido à rentabilidade e ao aumento dos fieis e turistas” relata Manoel Picanço, dono de estabelecimento comercial
desde 1958. Há 20 anos vendendo artigos religiosos, o comerciante diz que não há denúncias públicas dessa prática ilegal por medo de represália e violência. “A venda é desleal e a abordagem espanta os fieis e os turistas. Além do mais, não posso pagar seguranças particulares então, melhor o pouco que ainda nos resta”. Devido à propagação da Festa do Bonfim, que gerou grande aumento na concorrência, vários comerciantes temem fechar seus estabelecimentos.
Como não há um controle no ato da venda, fica notória também a briga entre os próprios ambulantes . Embora os mesmos sejam cadastrados, organizados, possuindo inclusive, cursos de vendas e
atendimento ao público, não é o que se vê. A diferença pode ser vista pelos turistas que são abordados desde a subida da colina até as escadarias da igreja. A unidade da fitinha chega a
custar cerca de R$ 0, 50, enquanto que, logo ao lado, lojas comerciais exibem placas enormes com os dizeres: 32 fitinhas por R$1,00.
O policiamento precário para um local com grande potencial turístico, deixa mais exposto esta condição. O soldado Antonio Carlos, do módulo da 17ª CIPM, diz que existe muita violência com
o turista e assaltos, principalmente aos domingos, quando cai o número de frequentadores nas redondezas. Diariamente no local encontram-se apenas dois policias militares, que se dividem
na ronda entre a própria igreja e a seus arredores.
A Igreja do Senhor do Bonfim foi inaugurada em 24 de Junho de 1754 e, ainda hoje, mantem seu valor histórico e original: um verdadeiro monumento cultural e de fé. A Basílica tem vida própria.
Segundo Tiago Souza, 21, há três anos trabalhando como ajudante na Igreja “a igreja investe no turismo, recebendo a ajuda do Governo para restauração e liberação da imagem, mas, o foco e
atrair mais fieis”.
Este quadro mostra uma contradição, quando se fala em turismo religioso: de um lado está um mercado promissor, com a Bahia ocupando o segundo maior pólo turístico do Brasil e um dos mais importantes do mundo, e neste contexto a Igreja do Bonfim contribui significativamente, sendo o Templo mais visitado em toda Cidade de Salvador chegando a ganhar o premio Top Of. Mind/97. Do outro, uma estrutura totalmente decadente, necessitando
de maior atenção por parte das autoridades competentes, sejam estas públicas ou privadas.
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